agromensal – CEPEA/ESALQ

Informações de Mercado

 

Mês de referência: DEZEMBRO/2009

 

 

CEPEA - SOJA

 

I - Análise Conjuntural

 

II - Séries Estatísticas

 

1. Diferenciais de preços

2. Estimativa do valor das alternativas de comercialização de farelo e óleo, em equivalente soja em grão, posto indústria

3. Prêmios – Produtos do complexo agroindustrial da soja

4. Preços FOB para farelo, grão e óleo (primeiro embarque)

 

III - Gráficos

        

SOJA / ÓLEO / FARELO

1. Evolução de preços nos últimos três anos

 

CEPEA - SOJA

 

I - Análise Conjuntural

 

ANÁLISE CEPEA – O mercado de soja iniciou 2009 em clima de incerteza quanto às cotações e rentabilidade da safra 2008/09, em desenvolvimento naquele período, conforme informações do Cepea. As compras de insumos haviam sido feitas em períodos de preços altos, o crédito foi mais escasso e produtores reduziram o uso de tecnologia nas lavouras, em especial de fertilizantes. A produção 2008/09 acabou sendo quase 5% menor que a do ano anterior, totalizando 57,088 milhões de toneladas, a menor safra desde 2005/06, segundo dados da Conab.

 

Apesar dos receios sobre os impactos da crise financeira, as cotações da soja iniciaram 2009 em alta, animando parte de produtores consultados pelo Cepea. Esses aumentos foram reflexos da preocupação com o clima no Brasil – em especial no Sul do País e em Mato Grosso do Sul – e nas principais regiões produtoras da Argentina. No Brasil, algumas lavouras semeadas logo após o vazio sanitário e com variedades precoces chegaram a ter perda próxima a 80% devido à falta de chuva em novembro e em dezembro de 2008.

 

A alta seguiu até meados de fevereiro. Segundo o Cepea, na segunda quinzena daquele mês e na primeira de março, os preços despencaram devido à melhora do clima no Brasil e na Argentina, ao avanço da colheita nacional, à fraqueza nos mercados de ações e de petróleo e também por conta da instabilidade financeira geral.

 

Posterior àquele momento, contudo, os preços voltaram a reagir, com esse movimento persistindo até meado de maio, pelo menos. A sustentação vinha da maior liquidez nos mercados interno e externo. Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, os preços da soja foram fortemente favorecidos com a quebra da safra da Argentina. Em abril, as exportações do grão e derivados do Brasil e dos Estados Unidos apresentaram expressivo crescimento, uma vez que esses países assumiram vendas antes realizadas pela Argentina.

 

Neste período, os preços dos derivados de soja no mercado doméstico já estavam reagindo de forma ligeiramente mais expressiva que os do grão. Conforme pesquisadores do Cepea, a demanda externa, com a quebra da safra na Argentina – maior exportador desses derivados –, voltou-se para outros países, em especial para o Brasil. Também se observou uma melhora na demanda interna por farelo de soja por parte dos setores de aves e suínos.

 

Em maio, mesmo com a forte desvalorização da taxa de câmbio, de 9,7% no acumulado do mês, as cotações internas foram impulsionadas pelas altas na Bolsa de Chicago (CBOT). O principal motivo da reação na CBOT foi a combinação de maior demanda pelos produtos norte-americanos com a diminuição dos estoques mundiais, justificada principalmente pela menor produção de soja na Argentina. Além disso, os futuros da CBOT passavam a ser cada vez mais influenciados pelo clima nas lavouras do Meio-Oeste norte-americano. O excesso de umidade atrapalhou as atividades de plantio durante boa parte do mês, impulsionando reajustes dos futuros.

 

Em junho, as cotações da soja apresentaram forte oscilação tanto no mercado internacional quanto no doméstico. O sobe-e-desce do câmbio e dos mercados de ações e de petróleo, a forte demanda internacional, os baixos estoques e o comportamento do clima nas lavouras dos Estados Unidos foram os principais fundamentos que guiaram as cotações da oleaginosa durante todo o mês de junho.

 

Já a partir de julho, os preços no mercado interno, em especial, mas também no externo, passaram a ter quedas freqüentes. Na Bolsa de Chicago, a pressão era justificada pelo clima favorável ao desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, que incentivou agentes a permanecer na posição vendedora – principalmente para o grão e o farelo, que haviam apresentados expressivas valorizações até aquele período. Além disso, a diminuição das exportações norte-americanas naquele mês também influenciou negativamente as cotações em Chicago. No mercado brasileiro, além da expressiva queda em Chicago, as cotações também foram influenciadas pela oscilação da taxa de câmbio – o dólar desvalorizou 5% frente ao Real em julho.

 

O clima nos Estados Unidos, e o conseqüente impacto sobre a safra daquele país, foi o fator de maior relevância nos períodos seguintes. No Brasil, as negociações haviam sido intensas no primeiro semestre a caminharam de forma lenta nos meses seguintes, devido à baixa disponibilidade de produto a ser negociado. As atenções passaram a ser dadas ao plantio da safra 2009/10 nas principais regiões produtoras. Com isso, as cotações internas foram se descolando ainda mais da tendência observada no mercado externo.

 

Entre 30 de dezembro de 2008 e 30 de dezembro de 2009, o Indicador CEPEA/ESALQ (média de cinco regiões do Paraná) da soja em grão teve queda de 9,03%, voltando a R$ 42,51/sc de 60 kg, menor valor de 2009. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa (produto posto porto de Paranaguá) teve decréscimo de 14,8% no mesmo período, fechando a R$ 42,00/sc. Na média das regiões pesquisadas pelo Cepea em todo Brasil, houve baixa de 6,8% no mercado de balcão (ao produtor) e de 7% no de lotes (negociações entre empresas) entre 30 de dezembro de 2008 e 30 de dezembro de 2009.

 

Em relação aos derivados, no acumulado de 2009, os preços do farelo caíram 0,4%, na média das regiões pesquisadas pelo Cepea. O óleo posto indústria na cidade de São Paulo teve queda de 7,3%, para R$ 1.817,48/t, com 12% de ICMS, no dia 30.

 

Dados da Secex apontam que, em 2009, as exportações de soja em grão totalizaram 28,5 milhões de toneladas, 16,6% a mais que em 2008. Para o farelo, o total exportado em 2009 foi de 12,2 milhões de toneladas, ligeira queda de 0,28% em relação a 2008. O total de óleo exportado em 2009 foi de 1,37 milhão de toneladas, queda de 22,3% em relação a 2008.

 

Em 2009, as exportações foram ainda mais concentradas no primeiro semestre. Segundo dados da Secex, do total de soja e derivados embarcados no acumulado de janeiro a novembro de 2009, 64% foram comercializados na primeira metade de 2009. Em 2008, as exportações de janeiro a junho representaram 56% da quantidade exportada no mesmo período (jan-dez).

 

 

Análise sobre o mercado de soja elaborada pelo Cepea

Equipe: Prof. Dr. Lucilio R. Alves, Matheus Rizato, Ana Amélia Zinsly, Karine Resende, Renata Maggian e Debora Kelen Pereira da Silva.

Contato: cepea@esalq.usp.br

 

 

II - Séries Estatísticas Cepea

 

1. Diferenciais de preços (Indicador e praças)

 

SOJA

Indicador de preços da soja CEPEA/ESALQ - média mensal: R$ 42,87/sc ou US$ 24,49/sc

Região/Praça

Diferenciais (em valor)

R$

US$

Passo Fundo – RS

-2,173

-1,241

Ijuí – RS

-1,830

-1,045

Sudoeste Paraná

0,206

0,118

Oeste Paraná

-1,054

-0,602

Norte Paraná

-0,724

-0,413

Sorriso – MT

10,288

5,876

Ponta Grossa – PR

0,182

0,104

Paranaguá

1,479

0,845

Fonte: Cepea/Esalq

Nota: Diferencial = Indicador – Região; saca de 60 kg

 

 


 

2. Estimativa do valor das alternativas de comercialização de farelo e óleo, em equivalente soja em grão, posto indústria.

 

Derivados (US$/t)

Óleo

Farelo

 

Mercado interno

Mercado externo

Mercado interno

473,40

429,50

Mercado externo

475,74

415,21

Fonte: Cepea/Esalq

Obs: Porto de referência: Paranaguá

        Bolsa de referência: CBOT

          Região de referência: Oeste do Paraná
         Embarque em Mar/10

Grão Externo: US$ 361,80 por tonelada

Interprete-se: o maior valor indica a opção mais atrativa de comercialização

 

3. Prêmios – Produtos do complexo agroindustrial da soja

 

Soja

Farelo

Óleo

45,90 (Mar/10)

34,75 (Jan/10)

-0,30 (Jan/10)

16,55 (Abr/10)

18,86 (Fev/10)

-0,43 (Fev/10)

14,62 (Mai/10)

8,76 (Mar/10)

-0,51 (Mar/10)

Elaboração Cepea/Esalq

Obs: Porto de referência: Paranaguá

        Bolsa de referência: CBOT
 Prêmios sobre contratos Mar/10, Abr/10 e Mai/10 para soja; Jan/10, Fev/10 e Mar/10 para farelo e óleo de soja.
Unidades: Soja: centavos de dólar por bushel

               Farelo: dólar por tonelada curta

               Óleo: centavos de dólar por libra-peso

 

 

4. Preços FOB para farelo, grão e óleo (primeiro embarque)

 

Soja (US$/ saca de 60 Kg)

Para embarque em Mar/10

 

Farelo (US$/t curta)

Para embarque em

Jan/10

Óleo (US$/t)

Para embarque em

Jan/10

23,77

383,41

861,11

Fonte: Cepea/Esalq

Obs: Porto de Referência: Paranaguá

        Bolsa de Referência: CBOT

Prêmios sobre contratos de Março/10 para a soja e Janeiro/10 para o farelo e óleo.

 

 


III – Gráficos