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Novas formas de negociação dos HFs aproximam o produtor do consumidor

A venda direta de frutas e hortaliças está em plena expansão no Brasil, impulsionada por novos formatos de negócios, desde as feiras tradicionais (o mercado do produtor) até a venda pela internet. Mesmo no caso do mercado do produtor, novas estratégias têm surgido, como a “feira com preço único”, em Curitiba (PR). Produtores também já vendem hortifrútis por meio da Amazon.com ou criam sites próprios para comercialização eletrônica e entrega em domicílio.

 

Os avanços não param por aí. Agricultores tradicionais ou novos têm cultivado em áreas urbanas, tanto folhosas, quanto banana, laranja e outras frutas. Muitas vezes, esses produtores urbanos são favorecidos por leis municipais, em que terrenos que produzem alimentos dentro da cidade têm descontos no IPTU.

 

E essa tendência não é somente nacional. Na Espanha, o avanço das hortas urbanas já resultou na criação de site específico para aluguel de terrenos dentro de cidades. Recentemente, houve também um “renascimento” do mercado do produtor nos Estados Unidos – o número desses mercados quadruplicou entre 1994 e 2015, segundo o USDA.

 

O impulso veio principalmente da “onda de consumo de produtos locais”, na qual o apelo ambiental ganha força, já que se consegue aliar a boa qualidade do alimento à produção mais sustentável, na medida em que o deslocamento é reduzido e as perdas, minimizadas. Além disso, no Brasil, em tempos de bolso apertado do consumidor e de altos custos de produção e comercialização para o produtor, a venda direta pode ser uma alternativa de viabilizar um preço mais equilibrado para ambos: nem tão baixo para o produtor e nem tão elevado para o consumidor. Sem a intermediação, a qualidade também pode ser melhor, já que o tempo de estocagem é reduzido.

 

A maior parte da rede de colaboradores do Hortifruti/Cepea não vende diretamente ao consumidor final. A razão principal é que a logística é muito custosa para o produtor escoar toda a sua produção “de porta em porta”. E, dependendo da escala de produção, o consumo local não a absorve. Além disso, a venda direta exige que o produtor amplie seu foco de atuação além da produção: a comercialização.

 

Para superar esses desafios, há entidades que auxiliam nessa aproximação entre produtores familiares e consumidores de uma determinada região, chamadas de redes de consumo. Em Piracicaba (SP), um exemplo é a Terra Mater, que dá suporte à Rede Guandu. A iniciativa minimiza um dos principais gargalos da venda direta do produtor familiar, que é a gestão logística.

 

Outro exemplo de suporte do consumidor ao produtor são as CSAs (comunidade que sustenta a agricultura). Esse modelo parte do princípio de que a comunidade (grupo de consumidores) assume mais funções além da simples aquisição do produto: ela financia, assume riscos e distribui a produção do agricultor. O produtor, em contrapartida, assume o compromisso de entregar o produto para esse grupo por meio de cestas de alimentos frescos. Assim, o produtor foca na sua vocação essencial, que é produzir o alimento. No Brasil, já existem cerca de 60 CSAs.

 

Apesar de representar ainda um nicho de mercado, e ter vários desafios a superar, a valorização do produto local está em evidência, e produtores familiares, especialmente os que produzem sob o sistema orgânico, têm uma ótima alternativa para o escoamento da produção.

 

Muitos estudos destacam que a venda direta, por meio do mercado do produtor ou do turismo rural, se bem elaborada, pode também proporcionar o que o marketing define como “consumo hedônico”, em que os produtos são oferecidos em locais que despertem emoções e lembranças ao consumidor.

 

Para saber mais, consulte as edições de abril de 2017 e agosto de 2016 da revista Hortifruti Brasil, que tratam da venda direta de frutas e hortaliças.

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