CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA - ESALQ/USP
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Análise do mês

Junho/15
Forragens de inverno da região Sul ajudam a equilibrar oferta; preços seguem em recuperação
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Junho foi mais um mês de alta do preço médio do leite pago ao produtor, mas os valores continuam abaixo dos praticados um ano atrás, de acordo com pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

De maio para junho, o aumento do preço recebido pelo produtor (sem frete e impostos) foi de 2,2%, com o litro a R$ 0,9537 na “média Brasil” – ponderada pelo volume captado em maio nos estados de MG, PR, RS, SC, SP, GO e BA. O preço bruto (inclui frete e impostos) fechou a R$ 1,0413/litro, aumento de 2,7% em relação à média de maio/15, mas ainda 5,2% abaixo ao do mesmo período de 2014.

Aumentos no comparativo mensal ocorreram em todos os estados da “média Brasil”. Paraná e São Paulo registraram as maiores altas, de 4,4% e 3,5%, respectivamente, nos preços líquidos médios pagos ao produtor.

O cenário altista já era esperado; reflete o período de entressafra no Sudeste e Centro-Oeste e o aumento da competição entre cooperativas/laticínios por produtores dessas regiões. Já no Sul, a produção tem aumentado graças à utilização das forragens de inverno e, com isso, o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L/Cepea) ficou praticamente estável em maio, com ligeira alta de 0,43%, considerando-se os sete estados que compõem a “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP). Em Santa Catarina, a captação de maio foi 6,99% maior que a de abril; no Paraná, aumentou 2,23% e, no Rio Grande do Sul, 1,9%. Já nas demais regiões, o volume produzido diminuiu. Na Bahia, a queda chegou a 4,23%, em São Paulo, foi de 2,61%, em Goiás, de 2,08% e em Minas, de 0,61%.

Pesquisadores do Cepea comentam que os preços atuais continuam baixos quando comparados aos de anos anteriores, ao passo que os custos permanecem em patamares relativamente altos, podendo inviabilizar a atividade. Ao mesmo tempo, diante de preços atrativos da arroba, muitos produtores, especialmente de pequena escala, têm optado por abater vacas, o que pode ter impactos negativos na produção futura de leite.

Para julho, a expectativa de representantes de laticínios/cooperativas consultados pelo Cepea é de continuidade do aumento nos preços. Entre os compradores entrevistados, 82,5%, que representam 76,4% do leite amostrado, acreditam em elevação e 17,5%, que representam 23,6% do volume captado, indicam estabilidade.

Tradicionalmente, com os reajustes positivos dos preços no primeiro semestre, a margem do produtor tende a aumentar. Neste ano, porém, os preços no início do ano estavam muito baixos e também os reajustes têm sido pequenos, o que tem limitado a recuperação das margens – tem sido mais lenta que em outras safras. Porém, espera-se que o movimento de alta dos preços se estenda por mais tempo.

No segmento de derivados, as cotações também acumularam alta em relação a maio, seguindo as tendências da entressafra. De acordo com colaboradores do Cepea, a demanda esteve boa nas três primeiras semanas do mês, puxando os preços para cima. Porém, na última semana, com um novo enfraquecimento das vendas, a indústria reduziu um pouco os preços para estimular a liquidez dos negócios. No atacado paulista, o leite UHT e o queijo muçarela tiveram valorização de 10,1% e 10,5% frente a maio. O leite UHT teve média de R$ 2,453/litro em junho e o queijo muçarela, de R$ 13,54/kg. A pesquisa sobre os preços de derivados do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).


Maio/15
PREÇOS SEGUEM EM ALTA EM TODOS OS ESTADOS DA “MÉDIA BRASIL”
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Cepea, 1º – O preço do leite recebido pelo produtor (sem frete e impostos) teve alta de 4,4% em maio, passando para R$ 0,9334/litro na “média Brasil”, que pondera o preço pelo volume captado nos estados de BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP, segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Esse valor, no entanto, é 8,9% menor que o de maio de 2014, em temos reais (valores deflacionados IPCA de abril/15). O preço bruto médio (com frete em impostos) foi de R$ 1,0142/litro, perda de 14,1% frente a maio/14.

O aumento do preço médio nacional de abril para maio foi influenciado pela valorização no Sul do País, principalmente em Santa Catarina (7%), e em Goiás (5,6%). É comum os preços se manterem em alta ou pelo menos firmes neste período de entressafra e, levantamentos do Cepea junto a representantes de laticínios/cooperativas confirmam essa tendência também para os próximos meses.

Mais da metade dos compradores ouvidos pelo Cepea (59,5%), que representam 56,2% do volume do leite amostrado, acreditam ainda em alta nas cotações em junho. Outros 40,5%, que respondem por 43,2% do leite amostrado, já esperam estabilidade para este mês.

Dentre os estados acompanhados pelo Cepea, o preço do leite subiu fortemente (7%) em Santa Catarina, indo para R$ 0,9239/litro. Além da menor produção no estado, a alta esteve atrelada à competição pela matéria-prima entre as empresas da região. Alguns produtores têm deixado a atividade, e laticínios se preocupam em oferecer valores que evitem a perda de novos fornecedores.

O Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L/Cepea) teve queda de 2,89% em abril, considerando-se os sete estados que compõem a “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP). A região Sul teve queda significativa na produção, de 4,87% no Rio Grande do Sul, 3,65% no Paraná e de 3,34% em Santa Catarina. Para os próximos meses, a captação deve começar a se recuperar no Sul do País, devido às forragens de inverno. Os demais estados também tiveram queda de produção leite em abril; a menor delas, de apenas 0,5%, ocorreu em Minas Gerais, principal estado produtor.

No mercado atacadista de derivados do estado de São Paulo, os preços continuaram se recuperando, puxados pela diminuição da oferta e melhora da demanda comparativamente aos meses anteriores. A média do leite UHT foi de R$ 2,22/litro, 4,48% superior à de abril. No mesmo sentido, a muçarela, em maio, teve média de R$ 12,24/kg, superando em 4,08% a do mês anterior – as altas foram praticamente diárias. O levantamento de preços de derivados do Cepea é diário e conta com apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Abril/15
QUEDA NA CAPTAÇÃO ELEVA PREÇO PELO 2º MÊS SEGUIDO
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Cepea, 5 – O preço do leite recebido pelo produtor aumentou pelo segundo mês consecutivo. Em abril, a “média Brasil” líquida foi de R$ 0,8942/litro, aumento de 3,9 centavos/litro (ou de 4,5%) em relação a março. Esta média, calculada pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, é ponderada pelo volume captado nos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA. Contabilizando-se o frete e impostos, o preço bruto teve média de R$ 0,9791/litro, valor 4,4% superior ao do mês anterior, mas 15,9% abaixo do de abril/14 em termos reais – considerando-se a inflação (IPCA) do período.

Segundo colaboradores do Cepea, o aumento esteve atrelado, principalmente, à queda na captação em março, em boa parte devido ao início da entressafra na região Sul do Brasil. Essa menor oferta, por sua vez, eleva a competição entre as indústrias e impulsiona os valores da matéria-prima. Vale ressaltar, no entanto, que, neste ano, observa-se maior cautela por parte de representantes da indústria para não acumular estoques, como ocorreu no semestre passado.

A captação do leite pelos laticínios/cooperativas teve queda em todos os estados acompanhados pelo Cepea. De fevereiro para março, houve redução de 6,62% no Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L). Minas Gerais e São Paulo registraram as diminuições mais acentuadas, de 9,45% e de 8,9%, respectivamente, seguidos pelo Paraná (6,26%), Goiás (5,82%), Santa Catarina (4,79%), Rio Grande do Sul (2,33%) e Bahia (2,19%).

Para maio, a expectativa é de que os preços do leite sigam em alta, ainda impulsionados pela oferta restrita de matéria-prima, mas com menos intensidade. Mais de 71% dos agentes entrevistados pelo Cepea (que representam 65,9% do volume amostrado) acreditam em nova alta nos preços do leite em maio, enquanto o restante (28,5% que representam 34,1% do volume) espera estabilidade nas cotações. Nenhum dos colaboradores consultados estima queda de preços para o próximo mês.

Quanto aos derivados, o preço do leite UHT subiu 2,6% de março para abril no atacado do estado de São Paulo – este foi o terceiro aumento seguido –, com a média indo para R$ 2,1311/litro. O queijo muçarela também se valorizou pelo terceiro mês consecutivo (2,3%), cotado a R$ 11,76/kg em abril.

De acordo com alguns atacadistas consultados pelo Cepea, agentes de indústrias têm reajustado positivamente os valores, aos poucos, visando recuperar as margens, ou, até mesmo, alinhar os custos de produção, que estão mais altos neste início de ano. A demanda, contudo, está enfraquecida, e, para liquidar os produtos, parte dos atacadistas precisaria reduzir os valores. Esta pesquisa de derivados do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).

Março/15
APÓS NOVE MESES EM QUEDA, PREÇO PAGO AO PRODUTOR INICIA RECUPERAÇÃO
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Cepea, 1º – A menor oferta de leite no campo, justificada pelo início da entressafra na região Sul do País, resultou em ligeira alta nas cotações do leite pago ao produtor em março, de acordo com levantamentos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Observando-se os 20 anos da série Cepea, constata-se que os preços ao produtor nunca recuaram de fevereiro para março, devido, justamente, ao início do período da entressafra no Sul. Porém, neste ano, o aumento dos preços ocorreu de forma mais amena devido, principalmente, ao enfraquecimento da demanda em algumas regiões do País.

Na “média Brasil” (GO, MG, RS, SP, PR, BA e SC), o preço do leite recebido pelo produtor subiu 2,05% com relação ao mês anterior, fechando a R$ 0,8554/litro (valor líquido – sem frete e impostos) – este é o primeiro aumento após nove meses de quedas consecutivas. O preço bruto (inclui frete e impostos) pago ao produtor teve média de R$ 0,9376, alta de 1,63% (ou de 1,5 centavo por litro) frente ao mês anterior. Considerando-se a série histórica deflacionada do Cepea (pelo IPCA de fev/15), o preço médio líquido de março/15 é 14,6% inferior ao de março/14.

O Índice de Captação do Leite (ICAP-L) de fevereiro sinalizou leve aumento de 0,62% em relação a janeiro, considerando-se os sete estados que compõem a “média Brasil”. Ainda assim, o volume produzido em fevereiro foi 14,6% superior ao do mesmo período de 2014. O avanço de 0,62% do ICAP-L em fevereiro foi obtido com o aumento de 8,02% da captação em Minas Gerais, de 2,82% em São Paulo e de 1,42% na Bahia, já que nos três estados do Sul e também em Goiás, houve diminuição do volume entre janeiro e fevereiro – recuo de 9,3% em Santa Catarina, de 7,41% no Rio Grande do Sul, de 0,3% no Paraná e de 0,1% em Goiás.

Para abril, a expectativa é de que os preços do leite sigam em alta, impulsionados pela menor oferta da região Sul. Dentre os agentes (laticínios/cooperativas) consultados pelo Cepea, 67,5% dos entrevistados (que representam expressivos 92,6% do leite amostrado) acreditam em nova alta nos para o próximo mês. Outros 27,5% dos agentes (que representam 7,2% do volume de leite amostrado) têm expectativas de estabilidade nos preços. Apenas 5% dos agentes esperam queda para abril/15.

A valorização da matéria-prima se refletiu no segmento de derivados, que teve influência também da interrupção do abastecimento causada pela greve dos caminhoneiros. No atacado paulista, os preços do leite UHT aumentaram 1,66% entre fevereiro e março, fechando o mês com a média mensal indo para R$ 1,8250/litro. Esse reajuste ocorre após cinco meses seguidos de queda. O queijo muçarela, que normalmente segue as tendências do UHT, também se valorizou, 1,5%, com o quilo na média de R$ 11,3576. Para o levantamento de preços de derivados, a equipe Cepea contata diariamente representantes de laticínios e atacadistas; essa pesquisa tem apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).

Fevereiro/15
QUEDA INFERIOR A 1% PODE SINALIZAR MUDANÇA DE TENDÊNCIA
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Cepea, 02 – Após altas consecutivas desde maio do ano passado, a captação de leite pelas indústrias/cooperativas acompanhadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, recuou em janeiro. O principal motivo foi a falta de chuvas nas regiões produtoras do Sudeste e Centro-Oeste na virada do ano. Ainda assim, o preço ao produtor se manteve em queda em fevereiro. A variação, contudo, foi pequena, o que pode sinalizar mudança de tendência nos próximos meses.

Considerando-se a “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), o preço líquido do leite recebido pelo produtor caiu 0,76% em fevereiro, na comparação com janeiro, indo para R$ 0,8382/litro. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o recuo é de 11,5% em termos reais (deflacionados pelo IPCA de jan/15). O preço bruto médio (inclui frete e impostos - pago ao produtor) foi de R$ 0,9226/litro, baixa de 0,71% no mês.

O índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L/Cepea) recuou 3,5% de dezembro/14 para janeiro/15. Chuvas abaixo do normal em grande parte do País dificultaram a recuperação das pastagens. Além disso, na tentativa de regular os volumes de leite estocado, laticínios/cooperativas reduziram o ritmo de compras de matéria-prima. A diminuição, no entanto, não foi uniforme. Em Goiás, a captação baixou 7,36%; em São Paulo, 3,02% e, no Rio Grande do Sul, houve mesmo aumento, de 0,3%.

Para os próximos meses, representantes de laticínios/cooperativas consultados pelo Cepea acreditam que pode haver estabilidade e/ou alta nos preços pagos ao produtor. Entre os entrevistados, 50% dos agentes (que representam 68,84% do volume amostrado) acreditam em estabilidade. Outros 30,43% dos colaboradores consultados pelo Cepea esperam alta em março (estes representam 22,62% do leite amostrado). Já 19,6% dos entrevistados ainda têm expectativa de queda nos preços no mês que vem.

No segmento de derivados, o leite UHT no mercado atacadista do estado de São Paulo, depois de cinco meses em quedas, se valorizou 1,6% de janeiro para fevereiro, com a média indo para R$ 1,82/litro. O queijo muçarela, também após cinco recuos seguidos, teve recuperação de 1,5%, com a média a 11,36/kg em fevereiro. Grande parte dos atacadistas consultados pelo Cepea indica que os estoques, antes considerados altos, já vêm se estabilizando. Esta pesquisa sobre o segmento de derivados do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas do estado de São Paulo e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).

Janeiro/15
HÁ OITO MESES EM QUEDA, PREÇO AO PRODUTOR RECUA 17%
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Cepea, 03 – Com estoques altos nos laticínios desde o final do ano passado e retração na demanda devido, principalmente, às férias escolares, os preços do leite pagos ao produtor recuaram novamente, e com força, em janeiro em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. O movimento de queda persiste desde junho/14 e já diminuiu a “média Brasil” (GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA) líquida (valor recebido pelos produtores) em 17% – esta média é ponderada pelo volume captado no respectivo mês nos estados que a compõem.

Em janeiro, a “média Brasil” líquida (não inclui frete nem impostos) foi de R$ 0,8446/litro, redução de 5,8% ou de 5,2 centavos de Real por litro na comparação com dezembro/14 e de 10,8% em relação a janeiro/14, em termos reais (deflacionados pelo IPCA de dez/14). O preço bruto médio (inclui frete e impostos - pago ao produtor) foi de R$ 0,9292/litro, queda de 5,3% ou também 5,2 centavos frente ao mês anterior.

A captação do leite pelos laticínios/cooperativas em dezembro/14 teve alta menos expressiva (+0,66%) que em novembro, de acordo com o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L/Cepea). A Bahia teve a maior elevação, de 9%, seguida pelo Rio Grande do Sul (2,49%) e Goiás (1,40%). A única queda ocorreu no Paraná (-2,10%). Segundo colaboradores do Cepea, as chuvas que deveriam ocorrer nesta época do ano em Minas Gerais, Goiás e algumas regiões de São Paulo ainda estão abaixo do esperado, limitando a qualidade dos pastos e consequentemente a produção leiteira.

A queda nos preços não surpreendeu agentes do setor consultados pelo Cepea. Muitos estavam atentos aos elevados estoques de leite que, segundo representantes da indústria, começam a diminuir, inclusive porque alguns laticínios adotaram a estratégia de “desacelerar” a captação. De fato, dados do Cepea mostram que os percentuais de aumento da captação registrados nos últimos meses, em dezembro, deram espaço à estabilidade na maioria dos laticínios.

Combinado a isso, as chuvas abaixo do esperado em muitas regiões embasam a expectativa, por parte de alguns colaboradores, de retomada das cotações no curto prazo. Outro grupo de representantes de laticínios/cooperativas consultados pelo Cepea acredita em estabilidade para os próximos meses, mas a maior parcela ainda vê fundamentos para novas quedas. Entre os compradores entrevistados, 67,3%, que representam expressivos 56,5% do leite amostrado, apontam queda nos valores em fevereiro. Outros 28,6% dos agentes, que representaram 41,9% do volume amostrado de leite em dezembro, indicam manutenção dos preços. Apenas 4,1% dos agentes esperam alta para o próximo mês.

No mercado de derivados, também houve desvalorizações no comparativo com dezembro/14. No atacado do estado de São Paulo, o leite UHT recuou 5,33%, com média de R$ 1,7952/litro. O queijo muçarela ficou praticamente estável (-0,30%), a R$ 11,19/kg em janeiro. Alguns atacadistas acreditam em preços mais firmes a partir da segunda quinzena de fevereiro. Os estoques diminuíram e algumas indústrias estão “testando” o mercado, praticando leves altas para a recuperação das margens ou até mesmo para alinhamento com os custos de produção mais altos neste início de ano. Esta pesquisa de derivados do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).

Dezembro/14
PREÇO AO PRODUTOR É O MENOR DOS ÚLTIMOS QUATRO ANOS
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Cepea, 30 – Os preços do leite pago ao produtor tiveram nova queda expressiva em dezembro, de 4,5%, tornando-se os menores valores dos últimos quatro anos para o mês. No comparativo com dezembro de 2013, por exemplo, a queda é de 10%, em termos reais – IPCA de nov/14). A pressão continua vindo do aumento na captação de leite em todos os estados acompanhados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Mesmo com os derivados em queda, a demanda não tem sido suficiente para absorver tal oferta.

Em dezembro, o preço médio bruto (inclui frete e impostos) pago ao produtor, na “média Brasil” (MG, RS, SP, PR, GO, BA e SC), foi de R$ 0,9810/litro, forte redução de 4,3% em relação a novembro. O preço líquido médio (sem frete e impostos) caiu 4,6%, passando para R$ 0,8968/litro. Essas médias, calculadas pelo Cepea, são ponderadas pelo volume captado em novembro nos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA.

Houve queda no preço líquido do leite em todos os estados da pesquisa do Cepea. As maiores baixas foram registradas em Goiás, Paraná e Minas Gerais, de 13,12%, 10,70% e 10,04%, respectivamente. Entre os estados que compõem a “Média Brasil”, Santa Catarina teve o menor valor em dezembro, de R$ 0,8337/litro, seguido pelo Rio Grande do Sul, com R$ 0,8657/litro – médias líquidas.

Pesquisadores do Cepea explicam que os altos patamares de preços alcançados em 2013 elevaram os investimentos na atividade leiteira, que resultaram em maior produção neste ano e acúmulo de estoques, principalmente no segundo semestre. Com a oferta elevada, as cotações recuaram no último quadrimestre do ano, após três meses de relativa estabilidade.

Além disso, nos últimos meses do ano, mesmo com atraso, as chuvas favoreceram a qualidade das pastagens e, consequentemente, a captação de leite, que alcançou a maior alta mensal de 2014. De outubro para novembro, o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L/Cepea) teve aumento de 6,43%. O destaque no período foi para Goiás, São Paulo e Minas Gerais, onde os avanços foram de 11,09%, 11,03% e de 7,87%, respectivamente.

Segundo indicações de profissionais de laticínios/cooperativas consultados pelo Cepea, para janeiro/15, a expectativa é de nova queda nos preços do leite. A maioria dos entrevistados (75%), que representam 87,75% do leite amostrado, indica que haverá baixa nos valores. Outros 23,53% dos agentes, que representam 12,07% do volume amostrado de leite, acreditam em estabilidade. E apenas 1,47%, que representa 0,17% do volume da amostra, acredita em alta.

No mercado de derivados, também houve queda nas cotações, em decorrência principalmente dos estoques elevados. Os preços médios do leite UHT e do queijo muçarela negociados no atacado do estado de São Paulo em dezembro (até o dia 26) foram de R$ 1,88/litro e R$ 11,24/kg, respectivamente, 5,2% e 2,2% inferiores às médias de novembro. A pesquisa de derivados do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).


Novembro/14
COM ESTOQUES ALTOS, PREÇO AO PRODUTOR RECUA FORTES 4%
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Cepea, 1° – Seguindo o movimento de queda já observado no mês anterior, o preço do leite pago ao produtor (bruto), na “média Brasil” (MG, RS, SP, PR, GO, BA e SC), recuou expressivos 4,08% em novembro frente a outubro, com média de R$ 1,0249/litro (inclui frete e impostos). O preço líquido (recebido pelo produtor) esteve a R$ 0,9404/litro, redução de 4,28%. Em termos reais (IPCA de outubro/14), o valor bruto está 12,2% menor que o de nov/2013 e o líquido, 11,91%. Essa forte desvalorização é resultado dos estoques elevados, que estão aumentando desde junho em função da maior captação – sobretudo da região Sul nos últimos meses.

Em novembro, apesar de o leite captado pelas indústrias ter se mantido praticamente estável, os estoques de matéria-prima continuaram elevados. Além disso, a oferta atual de leite e derivados não tem sido absorvida pelo atacado e varejo, mantendo a pressão sobre os valores ao produtor em todos os estados que compõem a “média Brasil”. As quedas mais significativas no mês foram verificadas em Goiás, Paraná e Minas Gerais, de 7,57%, 5,05% e 4,94% respectivamente.

O Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L/Cepea) ficou praticamente estável (-0,4%) frente a setembro. São Paulo teve a alta mais expressiva no volume captado, de 3,55%, seguido por Goiás (2,90%), Minas Gerais (2,86%) e Santa Catarina (0,63%). Já nos demais, houve quedas expressivas: Paraná (-5,12%); Rio Grande do Sul (-6,91%) e Bahia (-12,51%). Segundo colaboradores do Cepea, na região Sul, a produção já sinaliza o desaquecimento típico do período de entressafra daquela região.

A expectativa de agentes consultados pelo Cepea para o próximo mês é de nova queda dos preços. A maior parte dos entrevistados (78,21%), que representa 88,64% do leite amostrado, acredita que o recuo deve se manter em dezembro. Por outro lado, 19,23% dos entrevistados, que representam 10,86% do volume amostrado, indicam estabilidade. Apenas 2,56% acreditam em alta.

No mercado de derivados, a oferta acima da demanda manteve a pressão sobre os valores dos produtos lácteos. Alguns colaboradores apontaram que laticínios estão fazendo até “promoções” para tentar escoar os estoques. Outros ainda estão reduzindo o volume comprado dos produtores. Os preços médios do leite UHT e do queijo muçarela, negociados no atacado do estado de São Paulo, tiveram médias de R$ 1,9830/litro e R$ 11,49/kg, respectivamente, em novembro, 6,63% e 3,22% inferiores aos valores de outubro. A pesquisa de derivados do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas do estado de SP e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).

Outubro/14
PREÇO AO PRODUTOR RECUA NOVAMENTE NO MÊS E ESTÁ 6,5% MENOR QUE HÁ UM ANO
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Cepea, 31 – Os estoques elevados de leite nas indústrias, o aumento da captação e também a demanda enfraquecida no atacado e varejo pressionaram os valores pagos ao produtor em todas as regiões que compõem a “média Brasil” (MG, RS, SP, PR, GO, BA e SC) do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP em outubro. O preço médio bruto (inclui frete e impostos) recuou 1,94% e o líquido, 2,12%, indo para R$ 1,0685 e R$ 0,9824/litro respectivamente. Isso significa que o valor bruto está 8,16% abaixo da média deflacionada (IPCA de setembro/14) de outubro de 2013 e que a perda real da média líquida é de 6,4%.

De setembro para outubro, Santa Catarina e Goiás foram os estados que apresentaram as maiores quedas mensais nos preços médios líquidos de 5,86% e 3,41%, respectivamente, indo para R$ 0,9092/litro e a R$ 1,0105/litro.

O menor preço do concentrado nos últimos meses e o início das chuvas no Sul e em parte do Sudeste em setembro favoreceram a maior produção de leite. O volume captado pelas indústrias no mês aumentou em todos os estados analisados que compõem a “média Brasil”. O Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L/Cepea) teve elevação de 3,2% na comparação com agosto.

Minas Gerais teve a maior alta no volume captado, de 4,7%, seguida de Santa Catarina (4,08%), Goiás (3,44%), Rio Grande do Sul (3,40%), São Paulo (1,96%), Bahia (0,71%) e Paraná (0,27%).

Para o próximo mês, a expectativa de grande parte dos representantes de laticínios e cooperativas consultados pelo Cepea é de queda nos preços. Entre os entrevistados, 89,5%, que representam 95,9% do leite amostrado, acreditam que ocorrerá uma nova redução nos preços em novembro. Por outro lado, apenas 10,5% dos compradores, que representam 4,1% do volume amostrado, indicam estabilidade.

Essa previsão ainda reflete a manutenção do quadro atual de estoques elevados, captação em alta e demanda enfraquecida.

Os derivados também se desvalorizaram no atacado do estado de São Paulo. Grande parte dos atacadistas atribui a diminuição nos preços à maior oferta de leite sulista no mercado paulista e ao aumento da produção no próprio estado, com o início das chuvas em algumas regiões.
Em outubro (até o dia 30), o leite UHT teve média de R$ 2,02/litro e o queijo muçarela, de R$ 11,53/kg, quedas de 12,32% e 6,57%, respectivamente, em relação a setembro. Esta pesquisa de derivados do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).

Setembro/14
APÓS TRÊS MESES DE ESTABILIDADE, PREÇO RECUA COM MAIOR CAPTAÇÃO
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Em setembro, o preço do leite pago ao produtor caiu em praticamente todas as regiões que compõem a “média Brasil” (MG, RS, SP, PR, GO, BA e SC) do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, após se manter estável por três meses seguidos. As exceções foram Goiás e Bahia, onde as cotações subiram.

Na “média Brasil”, o valor líquido (sem frete e impostos) pago ao produtor recuou 0,81% de agosto para setembro, fechando a R$ 1,0037/litro – esta média é ponderada pelo volume de leite captado em agosto/14 nos estados da BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP. Na comparação com setembro/13, o preço está 8,9% inferior em termos reais (descontando-se a inflação – IPCA de agosto/14). O preço bruto médio (que inclui frete e impostos) pago ao produtor foi de R$ 1,0896/litro em setembro, redução de 0,75% em relação ao mês anterior.

O recuo nos valores pagos ao produtor foi influenciado, principalmente, pelo aumento da captação em todos os estados que compõem a “média Brasil”. Além disso, a demanda desaquecida pressionou as cotações dos derivados no atacado em setembro.

O aumento da captação no campo, por sua vez, esteve atrelado à proximidade do período de pico na safra sulista, ao início da temporada leiteira nacional e à ocorrência de chuvas em algumas regiões do Centro e Sudeste do País. A desvalorização do concentrado nos últimos meses também favoreceu um incremento na alimentação dos animais, resultando em elevação da produção de leite.

Em agosto/14, o Índice de Captação do Cepea (ICAP-L/Cepea) teve alta de 5,41% em relação a julho e de 16,5% na comparação com agosto/13. Em Santa Catarina, houve o maior aumento na captação, de 13,3%, seguido pelo Rio Grande do Sul (9,1%), Paraná (6,5%), Bahia (2,7%), Minas Gerais (2,6%), São Paulo (2,5%) e Goiás (2%).

Para o próximo mês, a expectativa da maior parte dos representantes de laticínios/cooperativas é de queda nos preços. Mais da metade dos compradores consultados pelo Cepea (52,5%), que representam 75,1% do leite amostrado, acredita que haverá novo recuo nos valores em outubro, enquanto 41,4% (20,4% do volume captado) indicam estabilidade. Apenas 6,1% dos agentes sinalizam uma possível alta em outubro. Estas expectativas refletem a elevada disponibilidade de leite nas principais regiões produtoras.

Em relação aos derivados, no atacado do estado de São Paulo, houve retração nas cotações do UHT e da muçarela no correr de setembro. Agentes desse segmento relatam aumento dos estoques desses produtores desde agosto. Com isso, em setembro, muitas empresas tentaram escoar o produto estocado, o que influenciou na queda dos preços.

Em setembro (até o dia 29), o leite UHT teve média de R$ 2,36/litro e o queijo muçarela, de R$ 12,61/kg, quedas de 0,41% e 2,6%, respectivamente, em relação a agosto/14. Esta pesquisa de derivados do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).

Agosto/14
PRODUÇÃO AUMENTA, MAS PREÇO SEGUE ESTÁVEL PELO 3º MÊS SEGUIDO
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Mesmo com o aumento na produção, o preço do leite pago ao produtor seguiu estável no mercado nacional pelo terceiro mês consecutivo. O valor médio do leite em agosto, de R$ 1,0119/litro (líquido – sem frete e impostos), foi apenas 0,08% inferior ao de julho, mas 6,11% abaixo do de agosto/13, em termos reais (descontando-se a inflação – IPCA de julho/14), na “média Brasil”. O preço bruto (inclui frete e impostos) foi de R$ 1,0978/litro em agosto, pequeno recuo de 0,14% em relação a julho e 4,9% inferior ao de agosto/13, em termos reais. Estas médias são calculadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, e ponderadas pelo volume captado nos estados da BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP, em julho/14. No geral, a estabilidade nos valores ainda é reflexo da demanda pouco aquecida pelos derivados lácteos em grande parte das regiões acompanhadas pelo Cepea.

Quanto à produção de leite, o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L/Cepea) teve alta de 3,8% de junho para julho/14 e de expressivos 12,77% em relação a julho/13. De acordo com colaboradores consultados pelo Cepea, as condições climáticas favoráveis nas regiões Sul e Nordeste, o período de safra sulista e investimentos realizados por produtores no correr do ano influenciaram esse aumento na produção.

Com exceção de Goiás, que teve redução de 0,62% na captação em julho/14, todos os demais registraram alta na produção. Na Bahia, houve a elevação mais expressiva, de 10,07%, seguida pelo Rio Grande do Sul, com 9,87%, Santa Catarina, com 7,66%, São Paulo, com 2,5%, Minas Gerais, com 2,4%, e o Paraná, com ligeiro 0,06%.

Por outro lado, o aumento da oferta no campo tem resultado em enfraquecimento dos preços na região Sul do País. Além disso, notícias de adulteração no leite sulista também prejudicaram as vendas de derivados, principalmente no Rio Grande do Sul e em algumas regiões de Santa Catarina. Colaboradores do Sul do Brasil afirmaram que a produção pode aumentar ainda mais nos próximos meses, já que estão no início do período de safra, além de haver previsões de condições climáticas favoráveis e também queda nas cotações do concentrado.

Para setembro, as expectativas apontadas pelos laticínios/cooperativas consultados pelo Cepea são, principalmente, de estabilidade nos preços do leite captado em agosto. Dentre as empresas consultadas, 62,4%, que representam 51,2% do leite amostrado, acreditam em estabilidade. Outros 24,7% (34,3% do volume captado) esperam queda, enquanto os 12,9% restantes apontam alta nas cotações.

No mercado de derivados, houve alta nos preços médios de agosto (até o dia 27) frente aos do mês anterior. O leite UHT se valorizou 3,03% e a muçarela, 1,97% – ambos negociados no atacado do estado de São Paulo. O UHT teve média de R$ 2,37/litro e a muçarela, de R$ 12,96/kg. De acordo com colaboradores, a valorização destes derivados esteve atrelada principalmente à redução dos estoques de derivados em julho e à dificuldade no transporte dos produtos vindos do Sul do País, devido às chuvas. Este levantamento de preços de derivados do Cepea é realizado diariamente com laticínios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).



Julho/14
PREÇO AO PRODUTOR SE MANTÉM ESTÁVEL, NA CASA DE R$ 1/LITRO
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Cepea, 31 – O preço do leite pago ao produtor permaneceu relativamente estável em julho, ainda em reflexo à demanda pouco aquecida pelos derivados lácteos somada à maior captação de leite na região Sul do País, segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. O preço do leite líquido ao produtor (sem frete e impostos) teve queda inexpressiva de 0,01% e fechou julho/14 em R$ 1,0127/litro na “média Brasil” – média dos estados de GO, MG, BA, PR, RS, SC e SP ponderada pelo volume captado em junho, conforme levantamentos do Cepea. Já o preço bruto (inclui frete e impostos) fechou a R$ 1,0994/litro, ligeira alta de 0,09% em relação à média de junho/14.

Colaboradores do Cepea informam que a demanda por derivados ainda esteve pouco aquecida neste mês de final da Copa e férias escolares, refletindo em maiores estoques nesse período e na diminuição dos preços ao produtor.

Paralelamente, as chuvas favoreceram a produção neste início da safra na região Sul do País, ainda que em algumas mesorregiões dos estados sulistas o excesso de precipitações tenha prejudicado a coleta do leite. No Paraná, a captação de junho foi 12,1% maior que a de maio; no Rio Grande do Sul, o aumento foi de 8,2% e, em Santa Catarina, de 5,6%. São Paulo e Minas Gerais também tiveram acréscimo nas captações, de 0,7% e 3,6%, respectivamente, enquanto que Goiás houve queda de 2,4% e Bahia, de 2,8%. No balanço dos sete estados, o Índice de Captação do Leite (ICAP-L) do Cepea em junho teve aumento de 4,3%.

Para julho e próximos meses, as expectativas ainda são de aumento na produção sulista, visto que a safra está apenas começando. A captação em algumas regiões, no entanto, pode ter problemas devido ao excesso de chuvas. Da mesma forma, as precipitações de julho em alguns estados da região Central e Sudeste podem influenciar no aumento da captação dessas praças.

Quanto aos preços a serem pagos aos produtores em agosto, representantes de laticínios/cooperativa consultados pelo Cepea se dividem entre queda e estabilidade. Dentre os entrevistados, 46,4% que representam 23,4% do leite amostrado acreditam em estabilidade para o próximo mês; já outros 29,8% dos agentes, que respondem por 53,7% do volume captado, indicam queda. Os demais 23,8% (representam 22,9% do leite) esperam alta nos preços em agosto.

Em julho, as cotações dos derivados no atacado paulista tiveram alta. Na média mensal, o leite UHT esteve a R$ 2,299/litro e o queijo muçarela, a R$ 12,856/kg - cotações até o dia 30 -, o que representa altas de 3,17% e 0,36% em relação a junho/14, respectivamente. De acordo com colaboradores do Cepea, o final da Copa motivou alguma melhora das vendas, refletindo nas cotações no decorrer de julho. Além disso, profissionais consultados pelo Cepea relataram que empresas produtoras de UHT, geralmente de maior porte em relação às produtoras de queijos, forçaram alta dos preços alegando impactos na captação no Sul, principalmente. Esta pesquisa de derivados do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).

Junho/14
DEMANDA DESAQUECIDA POR DERIVADOS PRESSIONA VALOR AO PRODUTOR
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Cepea, 30 – O preço do leite pago ao produtor (líquido – sem frete nem impostos) em junho/14 teve queda de 0,73% frente ao mês anterior (em termos reais), fechando a R$ 1,0128/litro na “média Brasil” – média ponderada pelo volume captado em maio nos estados de BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP – de acordo com pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. O preço bruto (inclui frete e impostos) fechou a R$ 1,0984/litro, redução de 0,56% em relação à média de maio/14. O cenário baixista, que já era esperado pelo setor, é reflexo do desaquecimento do mercado de derivados em maio e da produção de leite praticamente estável em junho. De acordo com colaboradores do Cepea, o atraso na chegada do frio, o menor crescimento da economia e os altos patamares dos derivados influenciaram na redução do consumo de produtos lácteos.

Dentre os estados acompanhados pelo Cepea na “média Brasil”, Minas Gerais e Goiás registraram quedas significativas de 2,03% e 3,53%, respectivamente, nos preços líquidos médios pagos ao produtor. Os demais estados (BA, PR, SC, SP e RS), por outro lado, tiveram elevações, puxados principalmente pela menor oferta no campo.

O Índice de Captação do Leite (ICAP-L) ficou praticamente estável em maio, com ligeira queda de 0,05%, considerando-se os sete estados que compõem a “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP). Devido ao início do fornecimento de forragens de inverno para os animais no Sul, a captação nos estados de SC e RS subiu 3,85% e 1,93%, respectivamente. A exceção foi o Paraná, que registrou queda de 2,03%. Da mesma forma, houve redução na aquisição de leite nas demais regiões acompanhadas pelo Cepea, de 5,73% na BA, 2,18% em SP e 0,17% em MG. Em Goiás, por outro lado, a captação teve ligeira alta de 0,29%. Considerando-se o acumulado de janeiro a maio de 2014, na “média Brasil”, a captação aumentou expressivos 14,2% em relação ao mesmo período de 2013.

As expectativas para os próximos meses são de aumento da produção no Sul devido ao início da safra. Por outro lado, é esperada redução significativa nas regiões central e Sudeste do País, em razão da seca que tem se prolongado desde o início do ano. De acordo com colaboradores do Cepea, as pastagens estão bastante prejudicadas e a produção de silagem, que é utilizada na alimentação dos animais, também foi significativamente afetada.

Assim, para julho, a expectativa de representantes de laticínios/cooperativas consultados pelo Cepea é de estabilidade nos preços. Entre os compradores entrevistados, 58,3%, que representam 56,3% do leite amostrado, acreditam que os preços ficarão no mesmo patamar e 25% (que representam 35,9% do volume captado) indicam que haverá nova queda. Os demais, 16,7% (7,8% do volume), esperam alta dos preços.

Em relação aos derivados, as cotações registraram alta neste mês, com a recuperação de parte da liquidez, que foi menor em maio. Na média mensal do atacado paulista, o leite UHT e o queijo muçarela tiveram valorização de 4,79% e 0,56% frente a maio/14. O leite UHT teve média de R$ 2,227/litro em junho, e o queijo muçarela, de R$ 12,80/kg (até o dia 27). De acordo com colaboradores do Cepea, o mercado dos derivados esteve um pouco mais aquecido em junho devido ao escoamento dos estoques, à produção relativamente estável no campo e à dificuldade do transporte do leite do Sul em razão das chuvas ocorridas nessa região. Além disso, a demanda por produtos lácteos esteve mais aquecida com as temperaturas mais amenas. Esta pesquisa de derivados do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).

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