Metodologia Grãos & Fibra

Os custos de produção agrícola (grãos e fibras) do Cepea são calculados com base em duas metodologias principais. Em projetos que se iniciaram há mais tempo, a estrutura original de custo de produção é separada por itens que compõem o Custo Operacional Efetivo (COE), o Custo Operacional Total (COT) e o Custo Total (CT), tomando-se como referência a descrição de Matsunaga et al. (1976) e o método de alocação de custo fixo discutida por Bórnia (1995). 

 

O Custo Operacional Efetivo (COE) inclui todos os itens considerados variáveis ou gastos diretos representados pelo dispêndio em dinheiro, tais como insumos (fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas), operação mecânica (diesel e manutenção preventiva), mão de obra, serviços terceirizados, comercialização agrícola, transporte, despesas financeiras, despesas com tributos de comercialização e despesas gerais. O Custo Operacional Total (COT) é formado pela soma do COE com a parcela dos custos indiretos representados pela depreciação de máquinas, implementos e benfeitorias e taxas associadas ao processo de produção. Por fim, o Custo Total (CT) é a soma do COT com o custo oportunidade de uso do capital e da terra.

 

Mais recentemente, uma nova metodologia foi ajustada, alterando-se apenas a forma de tratamento de ativos fixos. Num primeiro momento, é apresentado o Custo Operacional (CO), semelhante ao cômputo do COE. Posteriormente, adicionam-se os valores de depreciação de máquinas e equipamentos e a remuneração do capital investido, como o custo de oportunidade da terra e de outros imobilizados, obtendo-se o Custo Total (CT) da atividade. Os ativos fixos são computados considerando o Custo Anual de Reposição do Patrimônio (CARP), conforme apresentado em Barros et al. (2014)

 

A captação de dados envolve propriedades individuais, tratadas como estudos de casos, e estruturas representativas ou típicas da região, identificadas por meio de “Painéis”. A propriedade típica deve reunir as características modais de produtores de uma dada região. Essas principais características dizem respeito ao tamanho da área de produção, à produtividade, à tecnologia empregada, à combinação de atividades, ao sistema de produção e à organização do trabalho nas propriedades da região em estudo. Os Painéis são realizados, então, nas regiões mais relevantes para a produção nacional, prevalecendo o sistema de produção e a combinação de atividade, terra e recursos mais comuns naquela região. 

 

Pesquisadores do Cepea coordenam a discussão entre técnicos e produtores da região pesquisada, de modo a preencherem em consenso uma planilha eletrônica com a descrição detalhada da “propriedade típica” daquela região. O grupo detalha o tamanho da propriedade (área agrícola, área de pastagem, área de reserva legal e preservação permanente), número de máquinas, equipamentos, benfeitorias e mão de obra (fixa e temporária), preços médios das máquinas e implementos, rendimentos da produção agrícola e valor de venda da produção. Em seguida, são descritos os passos do processo de produção na propriedade, como: coeficientes técnicos relacionados ao tempo de uso das máquinas e equipamentos e quantidade de insumos. A partir dessas informações, determinam-se os custos com insumos e operações mecânicas, custos fixos e também a receita bruta da propriedade, obtida a partir dos preços de comercialização apurados em outra frente de pesquisa do Cepea.

 

A atualização das estruturas de produção é feita anualmente - por ano-safra -, e os preços dos insumos são apurados todos os meses, a partir de telefonemas a lojas agropecuárias, cooperativas, cerealistas, tradings e até a produtores das respectivas regiões. 

 

Informações complementares: 

 

Avaliações de custos e receitas do algodão brasileiro efetuados pelo Cepea
Custo de produção e gestão operacional das fazendas
Custo de Produção: Comparações entre as metodologias da Conab e do Cepea


 

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