Metodologia Frango & Suíno

O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP elabora, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), o custo de produção da suinocultura e avicultura desde 2014. O cálculo se baseia na apuração da estrutura das propriedades feita por meio de Painéis – reuniões com técnicos e produtores de cada região pesquisada. Esses levantamentos têm como objetivo caracterizar as propriedades que fornecem a maior parte da produção na respectiva área de pesquisa. Após essa apuração, os preços dos insumos são acompanhados mensalmente em lojas agropecuárias das regiões, com a finalidade de atualizar os custos de produção dessas atividades.

 

Os resultados dessa pesquisa são publicados semestralmente através do Boletim Campo Futuro Cepea/CNA, que abrange análises setoriais, como mercado internacional e comparativos entre as diferentes fontes de proteína animal, bem como a evolução dos custos de produção dentro do semestre analisado.


Este trabalho é contínuo e tem como objetivo criar ferramentas administrativas que possam auxiliar o fortalecimento das atividades suinícola e avícola do Brasil, bem como as empresas e serviços ligados a esses setores, com foco inicial no modelo de integração vertical.


Os preços de insumos agropecuários levantados por essa pesquisa, através dos telefonemas mensais, também fornecem conteúdo para relatórios, monografias e teses, que contribuem para o desenvolvimento profissional de alunos de ciências econômicas, engenharia agronômica e pós-graduandos em economia aplicada. Assim, todas as informações obtidas são utilizadas de maneira a contribuir para o crescimento da atividade agropecuária brasileira como um todo. 


1.    Definição das Regiões de Pesquisa 
Para se definir as regiões a serem incluídas na pesquisa, é considerado o efetivo de rabanho da mesorregião e dos municípios, estabelecendo a relevância da localidade perante o rebanho nacional. 
As informações agregadas de rebanho são cruzadas com a experiência dos técnicos dos Sindicatos Rurais e das Federações da Agricultura de cada Estado para refinar as peculiaridades da atividade regionalmente.

 


2.    Painel/Grupo focal e Fazenda Típica 
A obtenção precisa dos dados de cada propriedade e de seu sistema de produção é uma tarefa bastante complexa e impraticável do ponto de vista dos custos envolvidos. Mesmo o uso de amostras representativas, seria muito alto em razão da diversidade de situações encontradas no mundo real.


Existe grande heterogeneidade quando se trata de propriedades caracterizadas pela área física, tamanho do rebanho, sistema de produção, nível de tecnificação, existência de outras atividades na propriedade e forma de gerenciamento. Para contornar essa questão e, ao mesmo tempo, aproximar a análise da realidade, torna-se necessária a definição de uma propriedade que melhor represente as existentes na região. Essas propriedades, que serão chamadas de “típicas”, geralmente, possuem tamanhos médios e sistemas de produção representativos, situando-se dentro de padrões modais do universo considerado. Resulta dessa maneira, um conjunto de informações consistentes e úteis, obtidos dentro dos limites orçamentários.


Neste sentido, o Cepea utiliza do conceito de “Grupo Focal”, consolidado em diversas citações científicas, para levantar as características modais de produtores de uma dada região. Essas principais características dizem respeito ao tamanho da área de produção, à produtividade, à tecnologia empregada, à combinação de atividades, ao sistema de produção e à organização do trabalho nas propriedades da região em estudo. Os Painéis são realizados, então, nas regiões mais relevantes para a produção nacional, prevalecendo o sistema de produção e a combinação de atividade, terra e recursos mais comuns naquela região. 


Pesquisadores do Cepea coordenam a discussão entre técnicos e produtores da região pesquisada, de modo a preencherem em consenso uma planilha eletrônica com a descrição detalhada da “propriedade típica” daquela região. O grupo detalha o tamanho da propriedade (área agrícola, área de pastagem, área de reserva legal e preservação permanente), número de máquinas, equipamentos, benfeitorias e mão de obra (fixa e temporária), preços médios das máquinas e implementos, rendimentos da produção agrícola e valor de venda da produção. Em seguida, são descritos os passos do processo de produção na propriedade, como: coeficientes técnicos relacionados ao tempo de uso das máquinas e equipamentos e quantidade de insumos. A partir dessas informações, determinam-se os custos com insumos e operações mecânicas, custos fixos e também a receita bruta da propriedade.


Vale destacar que os índices e custos declarados por cada participante não estarão relacionados com as suas respectivas propriedades, mas sim, com uma única, declarada no início do painel como aquela que representa melhor o tamanho e o sistema de produção da maioria das propriedades locais.


Esta metodologia de levantamento de dados é uma adaptação de sistemas de levantamento e acompanhamento de custos feitos em outros países, como nos EUA e Alemanha. No Brasil o CEPEA usou esse tipo de metodologia para outros trabalhos de pesquisa de reconhecido rigor técnico como o Banco Mundial.


3.    Cálculo do custo de produção 


3.1.    Custo Operacional Efetivo (COE)


Refere-se a todos os gastos assumidos pela propriedade ao longo de um ano e que serão consumidos neste mesmo intervalo de tempo. Divide-se este item em custos variáveis e fixos. Os custos variáveis são os que variam conforme a quantidade produzida (por exemplo: manutenção de benfeitorias, máquinas, e implementos e energia elétrica). No caso da utilização de máquinas e implementos em operações como a manutenção de culturas perenes, anuais e pastagem, os valores da hora-máquina e hora-implemento também são determinados. Os custos fixos são aqueles gastos que não variam com a quantidade produzida, como algumas benfeitorias, impostos, como o ITR e contribuição sindical, e mão de obra.


3.2.    Custo Operacional Total (COT)
Refere-se à soma do COE com o valor das depreciações de benfeitorias, máquinas e implementos e animais de serviço. A depreciação das pastagens é contabilizada pelos gastos com insumos para reforma e remuneração da mão de obra para esta atividade. Neste item, também há a inclusão do pró-labore, referente à retirada mensal do produtor de acordo com sua participação no processo produtivo.


3.2.1.    Cálculo das depreciações
A depreciação das máquinas e dos implementos utilizados é igual aos cálculos das depreciações de construções, benfeitorias e equipamentos. Todos levam em consideração a depreciação linear, utilizando-se apenas o valor unitário, o valor residual e o tempo de vida útil em anos, de cada bem.


3.3.    Custo total (CT) 
Refere-se à soma do COT com a remuneração sobre o capital investido em benfeitorias, máquinas, implementos, equipamentos, utilitários, animais e forrageiras perenes, utilizando-se da taxa de 6%, referente à aplicação financeira em poupança, sobre o montante aplicado nesses itens. Além da remuneração sobre o capital investido, há também o custo de oportunidade da terra, que acrescenta o valor do arrendamento mais utilizado na região (ex: sacas de soja, arroba de boi, etc.), na área utilizada pela atividade.


4.     Cálculo da Margem Bruta (MB) 
A MB é obtida a partir da subtração do custo operacional efetivo (COE) da receita bruta calculada em cada Painel. A partir desse dado, é possível obter o retorno operacional efetivo anual, no caso da suinocultura, por cabeça, por quilograma vivo ou por matriz e, no caso da avicultura, por lote, por ano, por quilograma vivo ou por cabeça em cada região em estudo.


5.     Cálculo da Margem Líquida (ML)
A ML é obtida a partir da subtração do custo operacional total (COT) da receita bruta calculada em cada Painel. A partir desse dado, é possível obter o retorno operacional total anual nas mesmas unidades da MB.


6.    Acompanhamento mensal de preços
Após a realização do painel, a evolução dos custos é acompanhada com periodicidade mensal. Por meio de ligações telefônicas a revendas de produtos agropecuários, são captadas as variações dos preços dos produtos em cada município onde fora realizado o Painel. Para as pecuárias de leite e de corte, são coletados preços de aproximadamente 4.000 insumos por mês.


As variações dos preços nominais dos insumos alimentam a estrutura composta pelas informações originais obtidas no Painel, as quais permanecem inalteradas até que novo Painel seja realizado na mesma região. Assim, os coeficientes técnicos e as quantidades dos insumos utilizados se mantêm fixos. A variação do índice reflete, portanto, o impacto que houve sobre o custo de produção (COE, COT e CT) com base no aumento dos preços nominais dos diferentes insumos que compõem a produção pecuária de corte, em relação ao mês anterior.

 

Informações complementares: 

 

As mudanças da bovinocultura de corte no Brasil: evidências a partir de Mato Grosso do Sul

 

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