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A competitividade da indústria de amido de mandioca no Brasil e na Tailândia

Dados mais recentes da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) apontam que, em 2017, a produção mundial de mandioca foi de 280 milhões de toneladas. Apesar de o continente africano ser o principal produtor, o sudeste asiático é que se destaca na industrialização de raízes, seja para a produção de amido, chips, pellets ou até mesmo biocombustível (etanol).

 

O advento da mandioca como matéria-prima agroindustrial na Ásia se deu ainda no século XVIII, ganhando importância nos últimos 30 anos, especialmente na Tailândia, principal exportador mundial de amido. Mais recentemente, a produção teve avanço na Indonésia, Vietnã, Camboja, Laos e China.

 

Fora da África e da Ásia, a América do Sul é um grande produtor dessa raiz tuberosa, com destaque para o volume produzido no Brasil. No entanto, há grandes diferenças entre a indústria de amido asiática e da América do Sul, relacionadas a investimentos, a custos e aos mercados atendidos.

 

A indústria tailandesa de amido de mandioca é formada por 73 firmas (associadas à Thai Tapioca Starch Association), com capacidade para produção entre 3 e 3,5 milhões de toneladas por ano. Houve importantes avanços em termos tecnológicos, especialmente por investimentos em pesquisa por meio da iniciativa privada, corroborados pelas associações locais. Esta evolução foi observada nas seguintes frentes: melhoramento genético, aumento de produtividade agrícola, investimentos em tecnologias industriais, agregação de valor aos produtos, novas aplicações para o amido e, por fim, mudanças na política agrícola. Além disso, outros aspectos que favorecem a produção de fécula tailandesa são o baixo custo de produção – especialmente com mão de obra – e a logística – em 2017, mais de 90% do amido produzido pela Tailândia teve como destino a China.

 

Quanto ao Brasil, dados do Cepea e da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam) apontaram que, em 2017, eram 72 fecularias instaladas no País, com capacidade para a moagem de 21,5 mil toneladas de raízes por dia. Considerando-se que a indústria trabalhe 300 dias por ano, com rendimento médio de amido de 27%, o potencial para produção é de 1,74 milhão de toneladas, sendo que, no ano passado, a produção foi de 410,9 mil toneladas. Isso significa que a ociosidade fica acima de 70% da capacidade instalada.

 

Claramente, há muitos outros aspectos que diferenciam a agricultura tailandesa da brasileira. Enquanto a mandioca é o terceiro principal produto na Tailândia, no Brasil, existe forte concorrência por área com outras atividades, especialmente grãos. Além disso, os custos de produção agrícola no Brasil são superiores aos do país asiático.

 

Ainda há muitos gargalos a serem superados, mas é possível gerar excedentes exportáveis, otimizando a utilização da capacidade que se tem disponível. Com participação abaixo de 1% no mercado mundial de amido de mandioca, certamente haveria potencial para o produto brasileiro ser inserido nos mercados da União Europeia e das Américas, especialmente pela demanda crescente de produtos não transgênicos e livres de glúten.

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