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A pecuária mudou

A bovinocultura de corte brasileira está passando por uma efetiva transformação. A literatura aponta que, até 1985, pouco mais de 40% do crescimento da produção de carne bovina era explicado pelo aumento da área de pastagem, enquanto 59% estavam relacionados aos ganhos de produtividade. Já entre 1996 e 2006, últimos dados disponíveis pelo IBGE, houve redução da área de pastagem e, assim, 122% do aumento da produção de carne brasileira foi explicado por ganhos de produtividade . Por corte de gastos, este ano o governo não realizou o Censo Agropecuário, mas a base de dados do Cepea-Esalq/USP permite inferir que os ganhos de produtividade da pecuária nacional estão ocorrendo de forma muito acelerada. 

 

Estes ganhos de produtividade, contudo, ocorrem de forma bem heterogênea. O Brasil é um País continental e, por isso, não apenas na bovinocultura, mas em boa parte da produção agrícola, há grandes diferenças nas características produtivas e também nos produtos ofertados, resultado das condições edafoclimáticas. Além disso, os fatores institucionais (economia, legislação, cultura, escala produtiva, entre outros) também determinam os modelos produtivos regionais. No período recente, a diferenciação do modelo produtivo entre as regiões brasileiras foi exacerbada, resultado da forte intensificação econômica e do dinamismo tecnológico, principalmente no Centro-Oeste. Os incentivos governamentais, assim como o desenvolvimento de novas tecnologias, resultaram em aumento expressivo da produção na região e também no Norte do Brasil. Em oposição, outras áreas, como o Nordeste, conservam relações sociais do passado, mantendo, assim, relativo atraso. 

 

Já o Sudeste e, em especial, o Sul do País, com destaque para o Rio Grande do Sul, passaram por um processo de aumento do número de cabeças, mas redução da importância no rebanho nacional. Em 1974, início da série do IBGE, 22% do rebanho estava concentrado no Sul do País, em 1990, diminuiu para 17% e em 2014, para 13%. Apesar dessa diminuição, o Sul passou por uma forte transformação. As características climáticas permitiram que a região fosse pioneira no cruzamento e desenvolvimento de raças com genética europeia. Recentemente, a região volta a se beneficiar de mudanças institucionais pelas quais passa o País. Ao aliar os ganhos em produtividade, com destaque para a genética e aptidão natural da região para a pecuária, e estar próxima ao mercado consumidor mais desenvolvido do Brasil, a região merece grande destaque. Convidamos você, leitor, a acompanhar a nossa coluna e entender os desafios e oportunidades do Rio Grande do Sul na produção de carne brasileira! 

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