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Competir em um mercado de qualidade: por onde começar?

O Gigante se tornou um fornecedor de carne bovina em tamanho compatível ao da sua natureza. Isso faz com que sua cadeia produtiva ganhe destaque não apenas pelos volumes e valores alcançados – e que, em última análise, proporcionam resultados positivos importantes em termos socioeconômicos –, mas também pela veemente necessidade de engrenar uma nova fase de seu desenvolvimento.

 

Nesta nova etapa, torna-se fundamental que os diversos segmentos da cadeia da carne busquem ações que visem o aumento de qualidade – de processos e de produtos –, possibilitando enfrentar os desafios de mercado de maneira mais eficiente, e também a potencialização dos ganhos, até então obtidos em especial pela competitividade pautada no volume e no preço.

 

Promover aumento da qualidade começa pela indispensável definição do tema. A determinação do que significa uma carne de qualidade envolve aspectos diversificados, que passam por questões sensoriais, nutricionais, sanitárias, éticas, religiosas, relativas ao meio-ambiente, dentre outras, que podem formar combinações distintas e refletir prioridades diferentes, de acordo com o mercado consumidor. A qualidade de carne requerida pelo consumidor brasileiro, por exemplo, é diferente daquela procurada pelo europeu, que já passou por experiências de riscos efetivos à saúde, ocasionados por problemas de sanidade do rebanho e, por isso, busca garantias relacionadas a esse aspecto.

 

Uma outra questão importante é que alguns requisitos de qualidade podem ser assegurados somente pelo uso de métodos e/ou sistemas de monitoramento para controle nas diferentes etapas da cadeia produtiva. Isso implica cumprir parâmetros definidos em normas e certificações, estabelecidos por organismos especializados. Ainda que a rastreabilidade, por si, não garanta que a carne e o processo para sua produção tenham qualidade desejada, é inquestionável que se apresenta como ponto-chave para seu gerenciamento.

 

Nesse contexto, é bem verdade que a qualidade da carne não é obtida no frigorífico. Mas também é verdadeira a afirmação de que a responsabilidade por ela não é toda do pecuarista. Especialistas ligados a diferentes áreas, como a sanitária, de produção e comercial, deixam claro que a obtenção de carne de qualidade requer melhor conexão de todos os participantes da cadeia. E mais, requisitos de qualidade não raramente precisam também ser tratados de forma a extrapolar o próprio limite da cadeia produtiva da carne bovina, envolvendo agentes e instituições que de alguma forma interagem com essa cadeia e que precisam estar conjuntamente empenhados na busca pelos resultados.

 

É necessário construir relações de qualidade entre os agentes, em que o aumento da transparência e a troca eficiente de informações apresentam-se como ponto fundamental para alcançar resultados que, em última análise, levam ao aumento da competitividade em um mercado de qualidade, seja doméstico ou externo.

 

* Verifique aqui a versão deste texto em inglês.

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