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Mudanças no mercado mundial de mandioca e derivados e oportunidades para o Brasil

Entre 1950 e 2019, a produção mundial de mandioca cresceu, em média, 2,3% ao ano. Na África, o avanço nesse período foi de 3,3% a.a., em razão de aumento na área plantada, sobretudo na Nigéria. Na Ásia, mais especificamente na Tailândia e no Vietnã, a produção cresceu 2,3% ao ano, por conta da maior produtividade. Já a produção brasileira, por sua vez, caiu 0,4% ao ano ao longo desse período, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), como resultado da maior diversificação agropecuária na comparação com países africanos e asiáticos.

 

Ainda conforme a FAO, em parte dos países da África e da Ásia, a mandioca, que antes era considerada uma cultura de subsistência, agora tem papel fundamental para o desenvolvimento rural, para a diminuição da pobreza, para a segurança alimentar e energética (biocombustíveis). Assim, maciços investimentos públicos, privados e do terceiro setor agora impulsionam a mandiocultura nestes continentes, inclusive em escala industrial.

 

Atualmente, Tailândia e Vietnã destacam-se como principais produtores de mandioca e derivados (fécula, chips e pallets). Estes países são, também, os maiores exportadores desses derivados para o mercado chinês, que, por sua vez, apresenta aumento na demanda desde a década de 2000. Como exemplo, em 2020, a Tailândia exportou 2,7 milhões de toneladas de fécula, o que equivale a quase quatro vezes toda a produção brasileira desse derivado.

 

Projeções da FAO indicam que a produção deve crescer 18% nos próximos 10 anos, especialmente em regiões de baixa renda (2,3% a.a. até 2030). Nos países africanos, esse possível avanço poderá se dar em função de área, ao passo em que, no continente asiático, o incremento na produção deve continuar sendo resultado da maior produtividade agrícola.

 

Em relação ao consumo, as projeções apontam que, até 2030, pode ocorrer um adicional de um quilo per capita anual, principalmente em razão da maior demanda na África. Além disso, a produção de biocombustível a partir da mandioca também vem se aquecendo na Ásia.

 

Ainda que a magnitude dessas alterações não venha a ser como o que se prevê, o fato é que oportunidades poderão ser criadas. Mas, estaria a cadeia de produção da mandioca no Brasil preparada para isso?

 

Entre 1990 e 2020, a produção brasileira de fécula de mandioca cresceu a uma taxa anual de 3,8%, de acordo com dados do Cepea e da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam). Além disso, a indústria passou a incorporar inovações, e, atualmente, muitas produzem amidos modificados que atendem aos mais diversos segmentos, o que é algo bastante positivo.

Apesar disso, a ociosidade na indústria de fécula tem sido um grande gargalo nos últimos anos. Em 2020, foram produzidas 538,8 mil toneladas de fécula no Brasil, mas a capacidade instalada que se tem hoje no País é para se produzir, pelo menos, três vezes mais, o que, certamente, compromete a competitividade dos amidos.

 

Parte deste cenário se atrela à forte volatilidade dos preços na cadeia, o que, por sua vez, é resultado da ausência de mecanismos de comercialização que venham a garantir a rentabilidade dentro da porteira – e que também poderiam minimizar os choques de oferta tão presentes nestes mercados.

 

Com isso, seria possível de se ter preços menos voláteis para a fécula (a exemplo do amido de milho), o que poderia, de fato, ampliar a participação nos mercados globais – a União Europeia, por exemplo, sinaliza buscar outras fontes de amidos, além da batata, bem como novos fornecedores.

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