A reprodução dos artigos assinados por pesquisadores do Cepea é permitida desde que citados: o nome do(a) autor(a), sua qualificação profissional e filiação ao Cepea e data da publicação nesta página.

Protecionismo de Trump pode conter vantagem brasileira

O novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem gerado especulações em todas as economias do mundo e a falta de previsibilidade das suas ações já vem impactando negativamente nas expectativas dos agentes econômicos. O slogan do presidente norte-americano “América para os americanos” busca taxar produtos importados e proteger a indústria local.

 

No final de janeiro, Trump decidiu abandonar o Acordo de Parceria Transpacífico (TPP), um dos maiores acordos comerciais da história. Antes do abandono dos Estados Unidos, o TPP envolvia 12 países, responsáveis por 40% da economia mundial. Como os Estados Unidos são o segundo maior exportador de carne bovina do mundo, a saída do acordo poderia favorecer o mercado brasileiro de carne, à medida que pode deslocar a demanda de outros países do TPP para o Brasil. Em 2016, os 11 países restantes do TPP  (Japão, Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Peru, Malásia, México, Nova Zelândia, Cingapura e Vietnã) absorveram 8,95% das exportações brasileiras de carne bovina in natura, 8,5% das de carne suína e 15,3% das de frango, segundo informações da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). 

 

A saída norte-americana do TPP também pode abrir mais espaço para o Brasil nos mercados chinês e – no tão exigente – japonês. Esse contexto é verificado num momento em que lideranças políticas brasileiras, como o ministro Blairo Maggi, buscam estabelecer melhores relações comerciais com o mercado asiático, que podem representar outras oportunidades para o Brasil.

 

Por outro lado, medidas protecionistas de médio e longo prazos podem reduzir ou até mesmo eliminar vantagens técnicas da pecuária de corte brasileira “dentro da porteira”, justamente um fator que faz o País ser tão competitivo internacionalmente. Acordos de livre comércio estimulam os países a se especializaram em setores nos quais são mais eficientes. Porém, conforme as barreiras comerciais aumentam, caminhando para um protecionismo, essa eficiência é distorcida. Dados levantados pelo Agri benchmark – no qual o Brasil é representado pelo Cepea –, por exemplo, indicam que o custo de produção de um quilo de carne no País é um dos menores do mundo, cenário que eleva a competitividade do produto brasileiro no mercado global.

 

Além dos Estados Unidos, outras ações visando uma desglobalização vêm sendo observadas, sendo a decisão da Inglaterra de sair da União Europeia uma delas. Para este ano de 2017, uma das eleições mais relevantes para a economia mundial será a da França. Quem desponta nas pesquisas, com quase 30% das intenções de voto, é a candidata Marine Le Pen, que já afirma a pretensão de tirar a França da Zona do Euro e de frear a entrada de imigrantes no país. Quanto à China – que no correr de 2016 liderou por alguns meses como o maior comprador de carne bovina brasileira –, mesmo que o governo afirme que não irá adotar medidas protecionistas, o país divulga planos para que a população reduza o consumo de carne. 

 

Entre tantas especulações sobre o futuro, decisões como a de Trump e a trajetória cogitada para a desagregação da Europa até podem favorecer no curto prazo a exportação de carne bovina brasileira, mas, no longo, as desvantagens à cadeia pecuária nacional podem ser maiores. Além disso, ainda que imprevisível, o protecionismo e a desglobalização aumentam ainda mais as assimetrias entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. No caso do Brasil, a economia tem sido socorrida pelo setor agro, mas, em mercado protecionistas, produtos têm valor agregado inferior ao observado em outras economias, o que pode abalar o poder de negociação e reduzir as vantagens produtivas “dentro da porteira”. 

21/05/2020 - Covid-19 e o mercado de insumos agrícolas - Mauro Osaki 22/04/2020 - Exportações do agronegócio brasileiro em meio à pandemia do coronavírus - Andreia de Oliveira Adami 15/04/2020 - A epidemiologia econômica em evidência - Sílvia Helena Galvão de Miranda 31/03/2020 - Sobrevivência de empresa familiar depende de uma sucessão eficiente - Gabriela Garcia Ribeiro 10/02/2020 - Risco de cultivo da segunda safra reduz uso da área no Sul do Brasil - Lucilio Rogerio Aparecido Alves 21/01/2020 - A atratividade da pecuária brasileira - Thiago Bernardino de Carvalho 02/12/2019 - Medindo a incerteza: o risco da produção rural - Fábio Francisco de Lima 26/11/2019 - Agronegócio e o dólar - Geraldo Barros 29/10/2019 - Desafios do Brasil na defesa sanitária animal - Taís Cristina Menezes 17/10/2019 - Reflexões sobre medidas de produtividade e alguns resultados para a agropecuária brasileira - MIRIAN RUMENOS PIEDADE BACCHI 30/09/2019 - A evolução da tecnologia na produção de grãos - Renato Garcia Ribeiro 26/08/2019 - Demanda tem regido os preços do hidratado nesta safra 2019/20 - Ivelise Rasera Bragato Calcidoni 07/08/2019 - Produção e consumo de fécula de mandioca no Brasil - Fábio Isaías Felipe 24/07/2019 - Acordo Mercosul-União Europeia: possíveis impactos no setor de frutas e hortaliças - Fernanda Geraldini Palmieri 25/06/2019 - Produtividade do trabalho cresce mais no agronegócio que no Brasil e impulsiona PIB do setor - Nicole Rennó Castro
voltar
Preencha o formulário para realizar o download
x
Deseja receber informações do Cepea?

Digite este código no campo ao lado